Começando a Costurar!


Para quem nunca pegou numa linha e numa agulha antes, pode ser desafiador o momento de ter que enfrentá-las pela primeira vez. Se você tem um projeto em mente e sabe que não pode encaminhá-lo a um profissional, ou se meter a mão na massa sempre fez parte dos seus planos, vá em frente e siga estas dicas para ter sucesso:

Procure usar tecidos fáceis, pra começar. 
Quanto mais estáveis, melhor, ou seja, aqueles que não esticam, não escorregam, não são muito pesados nem muito leves. A primeira escolha é o algodão, mais especificamente o tricoline. Este é a escolha campeã para artesanatos, mas pode ser para roupas também. O linho, apesar de muitos fugirem dele por amassar muito, também é indicado para iniciantes. Os sintéticos ou mistos, desde que tenham peso médio e não escorreguem, também podem ser utilizados. A melhor coisa é passar na loja de tecidos e observar e manusear as peças.

Para cada tecido, a linha ideal. 
Tecidos sintéticos são preferencialmente costurados com linha sintética e naturais, com linha mista ou de algodão. É melhor assim por três razões básicas: tecidos sintéticos e naturais se deformam em proporção diferente quando são manipulados (lavar, secar, passar) e na hora de passar a ferro, uma linha sintética, por exemplo, pode não suportar a alta temperatura necessária para uma peça de algodão. Por fim, a resistência da linha deve ser compatível com a do tecido, ou seja: tecidos fortes, linha forte; tecidos delicados, linha delicada.

Também existe a agulha ideal para cada tipo de tecido e de projeto!
Dependendo de como é a trama e o peso do tecido, o tipo e o tamanho podem mudar. As agulhas ideais para os tecidos mais simples são do tipo 2020 15x1, com o tamanho variando entre 14 e 16. Quanto ao projeto, o que pode mudar é o seguinte: caso deseje aplicar miçangas, você pode precisar de agulha de miçanga, que é super fina e longa; para um bordado, você pode precisar de uma agulha com o buraco longo, para colocar vários fios ao mesmo tempo. Ela também pode ser mais curta ou mais comprida, dependendo da velocidade ou precisão que você deseja no projeto.

Há duas tesouras essenciais para auxiliar na costura.
Uma é a de corte que, aliás, deve ficar na caixa de costura e ser usada exclusivamente para este fim, ou perderá o fio. A outra é a de bordado, que apesar do nome, não serve apenas para quando se vai bordar. Ela é um curinga para desmanchar costuras, cortar linha e, claro, para auxiliar nos bordados…

Mantenha todo o material a ser usado no projeto em um lugar só, como uma caixa, por exemplo. A organização é um grande facilitador de tudo na vida, especialmente a costura. Assim você não gasta tempo procurando: "onde foi que eu deixei aquela fita mesmo?" Se ela for fácil de levar com você, melhor ainda! Qualquer sala de espera pode virar seu ateliê e você economiza seu tempo.

E então, mãos à obra? Depois conta aqui o que você vez e como ficou!

Como saber qual linha usar para costurar








Costurar é algo transmitido de geração para geração . Desde os primórdios, ligar um tecido a outro ou transformar uma pele de animal ou tecido vegetal em uma vestimenta, contou com invenções muito interessantes. Na nossa época mais moderna, existem gamas muito grandes e específicas de linhas para diferentes tipos de tecidos e finalidades.

Abaixo, vamos conhecer os tipos de linhas adequados para cada um deles, para que não haja retrabalhos ou erros de combinações. Vamos começar conhecendo os tipos de linha
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    algodão

    Categoria mercerizada :
    Ideais para viscose, seda pura, cambraia, linhobrins, , popeline, chitão, cretone, tricoline, e outros tecidos a base de fibra natural. Indicadas também são as agulhas 7, 8 ou 9 para costurar a mão para tecidos médios e finos. Para costurar com máquina, as agulhas são 11 ou 14. Este tipo de linha apresenta uma gama de cores muito grande , fácil de combinar com quase todos os tecidos.
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    Linhas glacê

    Encorpadas e resistentes, porém encontradas nas cores branca e preta somente. Ideais para couros, lonas, brins grossos. A espessura delas varia entre 24 (mais grossa), 30, 40 e 50 (quanto maior a numeração mais fina). Por serem mais resistentes que a mercerizada, são bem vindas quando o assunto é abrasão e atrito de tecido para trabalhos mais duros.
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    Sintéticas para pespontar

    São macias e maleáveis . Indicadas para acabamentos e detalhes . Ótimas para pontos, pregar botões, alinhavar, fazer casas e bainhas pois deslizam na agulha e amarram bem. Para costura à mão, use agulhas 3 ou 6 e a máquina, 16 ou 18.
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    Linhas comuns de poliéster

    Indicadas para microfibra, seda, tafetá, lingerie, cotton lycra, crepe, camurça, plush, meia, suedine, malha, lycra e todos os demais tecidos sintéticos.
    Utilize agulhas 7, 8 ou 9 para tecidos médios para costurar a mão, e 11 ou 14 para costurar à máquina. Número 3 a mão ou 16 ou 18 a máquina para tecidos mais espessos.
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    Linhas mistas
    São muito dinâmicas por serem mistura de poliéster e algodão.
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    Alguns pontos principais:

    Tecidos feitos com fibras naturais e que sejam delicados devem ser costurados com linhas de algodão; ou do contrário, as linhas sintéticas podem danificar os tecidos naturais.
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    Caso o tecido seja de algodão, mas seja grosso, utilize linhas sintética , que são mais resistentes .
    Da mesma maneira , ao utilizar linhas de algodão para a costura em tecidos sintéticos , depois de lavado , pode ocorrer o franzimento do tecido pelo fato de a linha ter encolhido. Também pelo fato de uma maior elasticidade nos tecidos sintéticos, ao expandirem-se podem arrebentar a linha durante o uso diário.
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    O fator temperatura deve ser observado também. Linha de poliéster em roupas de linho , por exemplo , podem ao utilizar-se o ferro de passar em temperaturas altas, simplesmente ser derretidas.
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    No caso de usar-se linhas metálicas em tecidos de cor clara, o perigo é a ferrugem provocada por umidade do tempo , suor , ou na lavagem , o que pode manchar irreversivelmente as áreas costuradas.
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    Outros pontos também devem ser considerados :

    Força – O tecido precisa de uma linha tão forte quanto. Para saber se ela não vai arrebentar, faça o teste de tentar rompê-la com a mão. Use um pano entre os dedos e a linha para evitar que se machuque.
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    Suavidade – Linhas lisas para tecidos leves e lisos ; linhas grossas e fortes para tecidos que tenham características mais encorpadas . Uma dica, é sentir com os lábios se a linha é lisa. De vagar , só para sentir se há aspereza . Tome cuidado para não fazer velozmente e machucar os lábios. 
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    Espessura – Para trabalhos com bordados e decoração, use linhas mais fortes e grossas . Para tecidos finos, que apareçam demais as intervenções da linha, use linhas mais delicadas e menos espessas. Lembre-se que linha deve, em caso não decorativo, sumir no tecido. Se o tecido tiver estrutura mais aberta em sua composição, as linhas grossas são a melhor escolha para que não se soltem e desencadeiem uma descosturarão generalizada. 
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    Elasticidade – Proporcionalmente roupas com maior elasticidade precisam de linhas mais elásticas . Um exemplo são as roupas de exercícios em lycras ou elastano . Teste a elasticidade da linha, puxando-a sobre uma superfície e medindo com uma régua até onde ela vai antes de ser arrebentada. O tecido pode ser um parâmetro de elasticidade, medindo até onde ele vai ao ser estendido. 
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    Cor – Dependendo da sua intenção, as cores podem ser exatamente iguais a do tecido, ou mesmo um tom sobre tom. Caso queira e tenha habilidade em combinar, podem ter tonalidades diferentes. Caso trate-se de listras ou xadrez, escolha a linha na tonalidade mais escura das estampas. Detalhes claros com base escura são melhor percebidos pelo olho do que detalhes escuros em bases claras , uma vez que cores claras mostram maior expansão na ilusão de ótica.
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    Linhas são artefatos que devem ficar escondidos ao máximo. Mas quando faltam, são percebidos de imediato, transformando o visual numa catástrofe, uma vez que roupa rasgada pode causar muito embaraço, e até, dependendo do uso, colocar em risco a segurança. Escolha bem e aproveite as variedades.

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Confira os diferentes tipos de tecidos, fibras, texturas e estampas

Confira os diferentes tipos de tecidos, fibras, texturas e estampas


Tecidos ponto a ponto

Tecidos não são simplesmente “fios”. Muito além de pequeninas linhas emaranhadas, os tecidos compõem a base de todas as peças do closet contemporâneo. Poderia ser mais importante? Por isso, é interessante destrinchar de que são feitos os tecidos: os tipos de fibras,  os tipos de textura e até os tipos de estampa. Afinal, nessa trama é possível ver a segunda pele para todas as peças, sem a qual a moda estaria nua.

Fibras
Fibras sintéticas e artificiais
As fibras sintéticas são man made. As matérias-primas são polímeros da indústria petroquímica, como acrílico, aramidas, nylon, poliamida, poliéster e poliuretano. Nomes esquisitos? Pois essas fibras despontaram com os avanços nos laboratórios, alavancando a indústria têxtil e a criatividade dos estilistas. Apesar de resistirem bem ao passar do tempo, o revés das fibras sintéticas é a vulnerabilidade às mudanças de temperatura. As fibras artificiais, por sua vez, aliam as fontes de celulose e de proteína, criando telas de distintas texturas como acetato, rayon e triacetato – o único porém é que esses materiais são altamente inflamáveis. Entre os tecidos com fibras artificiais, destacam-se os veludos, as lycras e o damasco. Mas na linhagem das fibras sintéticas e as artificiais, as inovações não param, pois novos estudos continuam a experimentar possibilidades para os tecidos, com fios inteligentes e peças high tech.
Fibras naturais
As fibras naturais são encontradas a partir de fontes orgânicas, como celulose e proteína. O algodão é a principal fonte de fibras naturais – por sua versatilidade e harmonia com quase todos os estilos e épocas, os fios se destinam à produção de 40% dos tecidos do mundo. Também de celulose, o linho é a fibra mais antiga de que se tem notícia, com propriedades semelhantes às do algodão. Entre as fontes protéicas, destacam-se a lã, as peles e o couro. Cashmeres, angorás e minks davam um ar sofisticado às peças de inverno, mas atualmente recebem muitas críticas da sociedade e dos defensores dos animais, como a People for the Ethical Treatment of Animals (Peta).  Além disso, há fibras naturais encontradas a partir de fontes minerais, como o amianto.
Tipos de tecidos

Tecido plano
Obtido pelo entrelaçamento de fios, nos estilos urdume e trama, formando um ângulo de 90º.
Tecido liso
Os franceses se referem a ele como tissu uni, um verbete bastante presente na alta-costura. Entre os tecidos lisos, há variáveis: o tecido simples (como o brim), o tecido composto (como o fustão), o tecido felpudo (como o veludo) e o tecido leno (como a gaze).
Tecido maquinetado
Aposta na originalidade dos detalhes, com delicados desenhos no mesmo tom do fundo.
Tecido jacquard
Também lembrado como tecido façonê, é produzido com fios multicoloridos entrecruzados.
Tecido estampado
Após a tecelagem, recebe estampa de desenhos e ilustrações.
Tecido de malha
Formado por laços cruzados lateral e verticalmente, de um ou mais fios.
Malha de trama
Entrelaçamento de um único tipo de fio.
Malha de teia
Entrelaçamento de conjuntos de fios, lado a lado no tear.
Malha mista
Mais conhecida como lad-in, com a inserção periódica de um fio de trama.
Tecido de laçada
Os fios fazem laçadas completas, isto é, nós completos que formam a base da armação.
Tecido “não tecido”
Como o nome indica, não passa pelos procedimentos tradicionais. Mas os enlaces das camadas de fibras formam uma folha contínua, como o feltro e o perfex.
Tecido especial
Estrutura mista e complexa equacionando o tecido comum, o de malha e o não tecido. Nesta composição, entram ainda materiais como filmes e laminados, como lamê e brocado.

Tipos de texturas
Tipos de texturas
As texturas, também chamadas de “fio fantasia”, são as fibras transformadas no processo de fiação. Entre as principais, Gilda Chataignier destaca:
Boutonné
Pequenas bolas irregulares. No Brasil, é conhecido como “coco ralado”.
Bouclé
Aspecto irregular, efeito conquistado com o uso de fios encaracolados na trama.
Chenile
Franjas curtas e grossas, como um tapete.
Granité
Áspero e granulado, com crepes sensíveis ao toque.
Flamê
Graduações de ligeiros relevos, irregulares como as chamas do fogo.
Frisé
Efeito plissado.
Grenadine
Textura de seda brilhante – a linha do grenadine é usada na alta-costura.
Grippé
Franzidos na trama, provocando um aspecto encarquilhado.
Métallique
Desfiável e desconfortável, mas com um efeito estiloso e cinematográfico.
Mussê
O tecido lembra a mousse, fofa e leve, usada em musselines e crepes georgettes.

Tipos de estampas
Florais
Realistas, fotográficas, impressionistas, rabiscadas, abstratas, as flores sempre dão um ar romântico às estampas, com um toque bucólico e ao mesmo tempo sofisticado.
Geométricos
Linhas retas, curvas angulosas, esferas, triângulos, tabuleiros de xadrez, todas as formas geométricas que o compasso e a criatividade permitirem são bem-vindas nas estampas, extrapolando para notas musicais, grafismos e signos cibernéticos.
Históricos
Datas cívicas, personagens e heróis nacionais, efemérides históricas, datas comemorativas e símbolos patrióticos saltam dos museus às estampas.
Étnicos
Os souvenires mais simbólicos entram nessas estampas, com um ar alegórico de um país em uma época pretensamente “pura”, naïf, isto é, nativa e um tanto ingênua.
Artísticos
Baseados em escolas e tendências de arte, referentes a uma determinada época com seus estilos e estéticas. Classicismo, barroco, art-nouveau, art-déco, modernismo, psicodelismo e pop-art fazem parte dessas inspirações para estampas.

Listrados
No século XII e XIII, as listras conquistam certa notoriedade – mas não por bons motivos. Inicialmente, ilustravam representações negativas, como as camisetas listradas dos prisioneiros. Saltimbancos, cortesãs, malandros, feiticeiras e personagens diabólicos também eram relacionados a essas riscas. Ao longo da história, esse preconceito se perde no tempo: as listras conquistaram espaço nas camisas, looks românticos, estilo navy, peças colegiais, relacionando-se às ideias de modernidade e juventude.
Fontes
- Tecidos: história, tramas, tipos e usos, de Dinah Bueno Pezzolo (Editora Senac, 2007).
- Fio a fio: tecidos, moda e linguagem
, de Gilda Chataignier (Estação das Letras, 2006).
Textiles and Fashion, de Jenny Udale (Editora Ava, 2008).
Textiles 5.000 Years, de Jennifer Harris (Editora Abrams, 1993).
Enciclopédia da Moda, de Georgina O’Hara (Companhia das Letras, 1992).
The Historical Encyclopedia of Costumes, de Albert Racinet (Studio Editions, 1990).